Dezembro 2007

Prezado(a) Colega,

O Informe Médico Eletrônico - Diagnósticos da América deste mês traz o tema:

Aplicação Clínica na Dosagem do Zinco

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Uma ótima leitura!

Dr Jaime Luiz Lopes Rocha
Clínico Geral e Infectologista


Aplicação Clínica na dosagem do Zinco
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O zinco participa de vários processos biológicos e a sua deficiência pode ser a causa ou ser secundária à várias patologias. A dosagem do zinco no sangue visa detectar casos de deficiência moderada a severa nos quais a suplementação com sais de zinco é geralmente necessária.Os principais fatores que levam à deficiência de zinco são a diminuição da ingestão e/ou da absorção, perdas gastro-intestinais, diminuição dos estoques hepáticos, hipoalbuminemia e aumento da excreção urinária ou fecal, entre outros.

Clinicamente, a deficiência de zinco pode variar, desde a ausência de sinais e sintomas definidos – deficiência subclínica – passando por manifestações inespecíficas , até aquelas mais graves, como a acrodermatite enteropática .

Quantidade significativa do zinco é encontrada no núcleo, provavelmente tendo um papel crítico na transcrição do DNA e na expressão gênica. É um cofator em todas as classes enzimáticas, sendo necessário à atividade de mais de 300 enzimas.

Influência assim transmissão da hereditariedade, diferenciação tecidual, crescimento e regeneração celular, na biossíntese e integridade do tecido conectivo e na resposta imune.

Tabela 1
Etiologia e fisiopatologia da deficiência de zinco
Etiologia Fisiopatologia
Amamentação de recém nascidos com leite materno pobre em zinco Dietas hipoproteicas Nutrição parenteral sem a inclusão de zinco Diminuição da ingestão
Dietas ricas em fibras (quelam o zinco no trato intestinal) Diminuição da ingestão
Diminuição da absorção
Diarréias crônicas Síndromes de mal absorção (doença celíaca, pancreatite crônica) Parasitoses intestinais com perda sanguinea Perdas gastrointestinais
Prematuridade
Doenças hepáticas
Estoque hepático insuficiente
Dietas hipoproteicas
Estados com catabolismo aumentado Síndrome nefrótica
Hipoalbuminemia (albumina é a principal proteína transportadora de zinco)
Aumento de excreção renal
Queimaduras
Diabetes mellitus
Cirrose hepática
Síndrome de imunodeficiência adquirida
Síndrome nefrótica
Doenças autoimunes
Doenças neoplásicas
Aumento da excreção
Medicamentos:
•  Aminoácidos em altas doses
•  Penicilamina
•  Acido fólico
•  Corticosteróides
•  Aumento da excreção renal

•  Aumento da excreção nas fezes
•  Diminuição da absorção
Genética (Doença de Danbolt) Doença autossômica recessiva, letal, relacionada à deficiência da absorção de zinco

Gravidez

Desbalanço entre ingesta e demanda

A deficiência pode ser leve e difícil de ser detectada devido à ausência de indicadores bem documentados. Nos casos subclínicos é controversa a necessidade de reposição. A deficiência moderada a severa pode aumentar susceptibilidade a infecções bacterianas, virais e fúngicas (por exemplo, em pacientes com imunodeficiência adquirida pode estar relacionada à redução do número de linfócitos T circulantes) e outras manifestações clínicas sugestivas, necessitando de tratamento com suplementação de zinco.

Tabela 2
Sintomas decorrentes ou associados à deficiência de zinco
Hipogeusia – perda do paladar
Cegueira noturna
Degeneração macular
Hipoevolutismo e puberdade atrasada
Acrodermatite enteropática
Deficiências do sistema imunológico
Anorexia, perda de peso, fadiga
Osteoporose

Pustolose não microbiana associada a doenças autoimunes

Dificuldade na cicatrização de úlceras arteriais ou venosas


Dosagem no Sangue e Interferentes:


A dosagem do zinco no sangue é o exame comumente utilizado para o diagnóstico da deficiência de zinco. No entanto, deve-se lembrar na interpretação dos resultados, que nem sempre os níveis séricos têm boa correlação com a concentração total do zinco corporal e que os níveis de albumina, a sua principal proteína carreadora irão influenciar o resultado. Assim, condições que levem à diminuição de albumina poderão cursar com níveis aparentemente baixos de zinco. A variação fisiológica dos níveis séricos deve ser levada em conta: mais baixos após as refeições e mais altos durante um período de jejum. Da mesma forma exercícios físicos intensos antes da coleta podem levar a níveis transitoriamente diminuídos. As medicações usadas devem ser observadas, pois várias delas podem levar a resultados falsamente aumentados ou diminuídos, especialmente complementos vitamínicos.

Apesar de ser bastante sensível para os casos de deficiência moderada a severa, casos de deficiência leve podem não ser detectados. Até o momento nenhum método disponível tem a sensibilidade suficiente para a detecção desses casos.


Sugestão de leitura complementar:

• Beneton N, Wolkenstein P, Bagot M, et al. 2000. Amicrobial pustulosis associated with autoimmune diseases: healing with zinc supplementation. Br J Dermatol, 143: 1306-10.

• Chernekhovskaia NE, Galaeva EV. 2001. Zinc's biological in the pathogenesis of duodenal ulcer. Ross Gastroenterol Zh, 1: 30-4.

• Hocke M, Winnefeld K, Bosseckert H. 2001. Oral zinc therapy in patients with supposed mild zinc deficiency-a critical review. Z Gastroenterol, 39: 83-8.

• Kupka R, Fawzi W. 2002. Zinc nutrition and HIV infection. Nutr Ver, 60: 69-79.

• Micheletti A, Rossi R, Rufini S. 2001. Zinc status in athletes: relation to diet and exercise. Sports Med, 31: 577-82.

• Salgueiro MJ, Zubillaga M, Lysionek A, et al. 2000. Zinc status and immune system relationship: a review. Biol Trace Elem Res, 76: 193-205.

CRM 13707