DENSIDADE MINERAL ÓSSEA EM PACIENTES COM PROLACTINOMA TRATADAS COM AGONISTAS DOPAMINÉRGICOS
. AUTORES: Erika Cesar de Oliveira Naliato, Alice Helena Dutra Violante, Dayse Caldas, Maria Lucia Fleiuss Farias, Isabela Bussade, Adilson Lamounier Filho, Christiane Rezende Loureiro, Rosita Fontes, Yolanda Schrank, Thaissa Loures e Annamaria Colao.
INSTITUIÇÕES PARTICIPANTES: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luis Capriglione, Diagnósticos da América Serviços Diagnósticos .
Resumo de trabalho publicado no Journal Pituitary,Volume 11, Number 1,Pages 21-28, March 2008
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Vários estudos já demonstraram que pacientes com prolactinoma estão susceptíveis ao desenvolvimento de osteopenia e osteoporose. A perda óssea nestes pacientes pode ser especialmente acentuada e afetar pacientes jovens, uma vez que nestes pacientes a hiperprolactinemia e o hipoestrogenismo, com freqüência dela resultante, impedem que estes atinjam o pico de massa óssea. Interessantemente, apesar dos homens estarem menos susceptíveis à osteoporose, àqueles com prolactinoma apresentam incidência semelhante às mulheres. No Brasil, em particular, a prevalência de osteopenia e osteoporose em pacientes com prolactinoma é especialmente elevada, uma vez que se soma ainda um agravante, que consiste no fato destes pacientes permanecerem hiperprolactinêmicos durante muito tempo, já que com freqüência não conseguem arcar com os custos do tratamento e, conseqüentemente, ou o interrompem ou fazem uso de subdoses da medicação.
A maioria dos estudos que avaliam a densidade mineral óssea em pacientes com prolactinoma tem utilizado o T-score, que compara o resultado do paciente com adultos jovens. Entretanto, os critérios atuais recomendados pela Sociedade Internacional de Densitometria Clínica (ISCD) em mulheres pré-menopausadas são baseados no Z-score, que compara a densidade mineral óssea com indivíduos pareados pela idade. Atualmente o Z-score considerado como normal pela ISCD pela idade é um z-score igual ou maior que -2,0.
O objetivo primário do presente estudo foi avaliar a densidade mineral óssea, utilizando densitometria por absorção de raio-X de dupla energia (DXA), em pacientes com prolactinoma e compará-la com o resultado encontrado em um grupo controle saudável.
Neste intuito 54 mulheres pré-menopausadas com idade média de 34,1 ± 7,9 anos com prolactinoma (cujo diagnóstico foi baseado na presença de sinais e sintomas clínicos sugestivos da doença, hiperproacintemia documentada em duas amostras diferentes e imagem sugerindo tumor hipofisário) com tempo médio de doença de 5 ± 2,8 anos, em uso de agonistas dopaminérgicos, foram submetidas a DXA e tiveram seus resultados comparados aos encontrados em 25 indivíduos controles pareados para idade e distribuição de massa magra e gorda (também avaliada pela DXA). A prevalência de tabagismo, ingesta de bebida alcoólica e cálcio assim como a prática regular de atividade física foi comparável nos dois grupos.
Os autores observaram valores menores de Z-score em coluna lombar em pacientes com prolactinoma quando comparado como os controles, enquanto o Z-score em colo de fêmur, trocânter e fêmur proximal total foi semelhante nos dois grupos. Vinte por cento dos pacientes contra 4% dos controles tinham Z-score em coluna lombar abaixo do esperado para a idade. A perda óssea preferencial em coluna lombar em pacientes hiperprolactinêmicos está de acordo com dados da literatura. A coluna lombar é formada essencialmente por osso trabecular, que é mais susceptível que o osso cortical a distúrbios tais como hiperprolactinemia e hipogonadismo. O estudo mostrou ainda relação direta entre a perda óssea em coluna lombar com o tempo de amenorréia, ou seja, em mulheres com hiperprolactinemia o hipogonadismo secundário parece ser o principal responsável pela perda óssea. Outros estudos, inclusive em homens com prolactinoma já haviam demonstrado estar a perda óssea diretamente relacionada aos níveis de estradiol. O estradiol inibe a apoptose dos osteoblastos e osteoclastos e o seu efeito protetor sobre o osso é mediado, essencialmente, pelo controle no número e na atividade dos osteoclastos.
Tais achados reforçam a importância do diagnóstico precoce da doença assim como para a adesão ao tratamento no intuito de manter a normoprolactinemia. Lembramos ainda que na maioria dos casos é possível reverter ou pelo menos interromper a perda óssea após a instituição do tratamento adequado.
Leitura complementar sugerida:
Klibanski A, Biller BM, Rosenthal DI, Schoenfeld DA, Saxe V. Effects of prolactin and estrogen deficiency in amenorrheic bone loss. J Clin Endocrinol Metab 1988;67:124-130.
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