Pesquisa de Mutação de JAK2
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Síndromes mieloproliferativas crônicas (SMP) representam um grupo de doenças clonais hematopoieticas caracterizadas pela produção excessiva de células sanguíneas maduras, associadas a um risco aumentado de complicações hemorrágicas, trombóticas e menos comumente evolução para Leucemia Mielóide Aguda (LMA). O grupo das SMPs é representado por: Leucemia Mielóide Crônica (LMC), Policitemia Vera (PV), Trombocitemia Essencial (TE) e Mielofibrose Idiopática (MFI). Enquanto o diagnóstico de LMC é feito pela presença de aspectos clínicos, de sangue periférico e de medula óssea bem definidos, incluindo a presença do cromossomo Philadelphia, o diagnóstico de PV, TE e MFI é mais complexo e baseado na exclusão de condições clínicas reacionais e critérios diagnósticos inespecíficos.
A recente identificação da mutação somática JAK2 V617F no gene Janus Kinase 2 ( JAK2 ), representa avanço no diagnóstico e compreensão da fisiopatologia das SMP. J AK2 é uma tirosina quinase citoplasmática envolvida na sinalização intracelular de vários receptores, como eritropoetina, trombopoetina, fator de crescimento de granulócitos (G-CSF), entre outros. A mutação JAK2 V617F causa ativação constitucional de JAK2, com conseqüente ativação das vias de STAT5, P13K, ERK e Akt, que culminam com o fenótipo hiperproliferativo observado nas SMP. JAK2 V617F está presente em pelo menos 95% dos pacientes portadores de PV e cerca de 50 a 60% dos pacientes com MF e TE. Modelos recentes de critérios diagnósticos têm proposto a incorporação rotineira da pesquisa de JAK2 V617F no diagnóstico de SMP, especialmente se a suspeita for de PV. De acordo com estes modelos, poliglobulia associada à presença de JAK2 V617F é suficiente para o diagnóstico de PV. Nos casos de suspeita de TE e MF, apesar da presença da mutação sugerir fortemente o diagnóstico, é necessária a presença de outros critérios de sangue periférico, biópsia de medula óssea e exclusão de outros subtipos de SMP.
A ausência da mutação, em pacientes com poliglobulia, associada a níveis elevados de eritropoetina, sugere fortemente policitemia secundária. Já na suspeita clinica de TE ou MF, um resultado negativo para pesquisa de JAK2 V617F, é de pouco auxílio diagnóstico. JAK2 V617F representa um importante passo para o melhor entendimento das SMP, e sua pesquisa tornou-se ferramenta essencial na avaliação diagnóstica de pacientes com suspeita de SMP, como casos de plaquetoses de difícil diferenciação entre reacional e clonal e, especialmente PV.
Leitura complementar sugerida:
Levine, R.L., Gillilland, D.G.; JAK 2 mutations and their relevance to myeloproliferative disease. Current Opin Hematol. 2007 Jan 14(1) :43-7.
Tefferi, A and Vardiman, J.W. Classification and diagnosis of myeloproliferative neoplasms: The 2008 World Health Organization criteria and point-of-care diagnostic algorithms. Leukemia, 2007; 1-9
Tefferi A, Thiele J, Orazi A, Kvasnicka HM, Barbui T, Hanson CA, Barosi G,
Verstovsek S, Birgegard G, Mesa R, Reilly JT, Gisslinger H, Vannucchi AM,
Cervantes F, Finazzi G, Hoffman R, Gilliland DG, Bloomfield CD, Vardiman JW.
Proposals and rationale for revision of the World Health Organization diagnostic
criteria for polycythemia vera, essential thrombocythemia, and primary
myelofibrosis: recommendations from an ad hoc international expert panel.
Blood. 2007 Aug 15;110(4):1092-7. Epub 2007 May 8.
PMID: 17488875 [PubMed - indexed for MEDLINE]
Spivak JL, Silver RT. The revised World Health Organization diagnostic criteria for polycythemia vera, essential thrombocytosis and primary myelofibrosis: an alternative proposal. Blood. 2008 Apr 9; [Epub ahead of print] PMID: 18401028 [PubMed - as supplied by publisher] |